EUA na COP 28: país quer reduzir emissão de GEE em 52% até 2030

Objetivo passa por um esforço conjunto entre governo e empresas privadas, além da adoção de novas tecnologias e de uma resposta positiva ao mercado

Redação

em 22 de setembro de 2023


Os Estados Unidos da América, em conformidade com os objetivos do Acordo de Paris, estabeleceram como meta a redução líquida das emissões de gases de efeito estufa (GEE) entre 50 e 52% abaixo dos níveis de 2005, até 2030. Para chegar aos números desejados, os EUA, na COP 28, pretendem mobilizar as áreas públicas e privadas da sociedade, a fim de combater as mudanças climáticas e desenvolver políticas que beneficiem a comunidade.

As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) apresentadas pelo país na 28ª Conferência de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (COP 28) revelam que, em concordância com os esforços internos, existe a perspectiva de fazerem ajustes nas fronteiras em relação aos bens que envolvem uma quantidade elevada de carbono na cadeia produtiva. Os EUA reconhecem, também, a importância de criar soluções terrestres e marítimas, que incluem o reflorestamento e o aumento de energias renováveis offshore, por exemplo.

EUA na COP 28: uso da terra

A maneira como o país usa o território de quase 10 milhões de km² é importante para que os EUA consigam chegar ao resultado esperado. Em 2019, por exemplo, o sequestro de carbono a partir do uso da terra, das mudanças no modo de uso da terra e das florestas correspondeu a 12% (800 milhões de toneladas equivalentes de CO2) da emissão de GEE do país. O potencial de sequestro de carbono se torna ainda mais importante no contexto americano, uma vez que a área de colheita é, praticamente, a mesma de 1910, porém com uma população três vezes maior e com uma demanda maior de exportação.

Segundo a NDC de 2021, programas e medidas irão ajudar no sequestro de carbono, no reflorestamento, na ampliação de práticas agrícolas inteligentes, no gerenciamento de nutrientes e no pastoreio rotativo. Somado a isso, o governo irá investir na proteção de florestas, na prevenção de incêndios e na restauração daquelas que forem queimadas.

Atuação do país nos demais setores

Para sustentar o objetivo traçado para 2030, o Conselheiro Nacional para o Clima e o Gabinete da Casa Branca para a Política Climática realizaram análises nos setores que produzem CO2 e gases de efeito estufa em geral. Consideraram a eletricidade, os transportes, as construções, as indústrias e o setor terrestre, assim como, as tecnologias disponíveis, os custos atuais e futuros e todos os programas, apoios à inovação e infraestrutura.

Com este planejamento, a NDC indicou que os EUA conseguiriam atingir e ultrapassar a meta definida de redução das emissões para 2020, na ordem de 17% abaixo dos níveis de 2005. Em seguida, o país objetiva alcançar a marca de 26-28% de redução até 2025. A queda de possíveis 22-26% nos 5 anos finais do prazo representará não só os investimentos feitos pela esfera pública e privada, como também o avanço de tecnologias que contribuem para uma produção mais sustentável e uma resposta positiva do mercado e da sociedade aos novos métodos.

Comprometidos em atuar em diferentes áreas, os Estados Unidos irão investir em descarbonizar o setor de energia, em ampliaras fontes geradoras, como o hidrogênio verde, e em aumentar a eficiência de veículos, de construções e da indústria, por meio da eletricidade. Veja de forma mais específica.

  • Eletricidade: ter 100% de eletricidade livre de carbono é uma meta dos EUA até 2035. Para isso, o governo irá desenvolver infraestrutura moderna e, portanto, incentivar “a pesquisa, o desenvolvimento, a demonstração, comercialização e implantação de software e hardware para apoiar um sistema livre de poluição por carbono, resiliente, confiável e acessível”, de acordo com a NDC.
  • Transporte: para reduzir o impacto do transporte nas mudanças climáticas, algumas medidas condizem com a NDC do país. São elas: “padrões de eficiência e emissões de escapamento; incentivos para veículos pessoais com zero emissões; e esforços de pesquisa, desenvolvimento, demonstração e implantação para apoiar avanços em combustíveis renováveis de nova geração, com baixíssimo teor de carbono”.
  • Construção: neste setor, as maiores emissões são resultados do uso de eletricidade e da queima de combustíveis fósseis. Como resposta a isso, está o financiamento de programas de modernização, investimentos em tecnologia e aplicação de códigos de energia novos em construções.
  • Indústria: o governo dos EUA visa a implementar processos e produtos industriais com menor ou nenhuma emissão de carbono. Para isso, irão incentivar a adoção de novas fontes de hidrogênio para alimentar as indústrias, assim como a captura de carbono.