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Biodigestores: pequenos bovinocultores podem economizar R$ 1,45 bi por ano

Esse é o valor que cerca de 504 mil fazendas economizariam ao deixar de comprar gás liquefeito de petróleo (GLP)

Redação

em 17 de janeiro de 2024


Um estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF) revelou que se apenas a metade das propriedades de bovinocultores do Brasil (entre as médias e pequenas, que mantém entre 10 e 100 cabeças de gado) optasse pela produção de gás a partir de resíduos orgânicos, elas economizariam cerca de 1,45 bilhão de reais por ano com a instalação de biodigestores.

Esse é o valor que cerca de 504 mil fazendas economizariam ao substituir o gás liquefeito de petróleo (GLP) pelo biogás. Isso sem contar o impacto ambiental, pois, com a mudança, cerca de 595 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) deixariam de ser emitidas todos os anos. Além disso, a solução permite que os resíduos sejam utilizados como matéria-prima, ao invés de serem descartados, o que é um dos pilares da economia circular.

A Embrapa coletou dados a partir de biodigestores instalados ainda em caráter experimental, numa propriedade em Luziânia (GO). 

Bovinocultores e a produção de gás

Os pesquisadores da Embrapa utilizaram a RenovaCalc, uma ferramenta desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente especificamente para calcular a intensidade de carbono equivalente emitida por biocombustíveis

“A metodologia se baseia nos inventários de Avaliação do Custo de Vida (ACV) de cada rota de biocombustível e emprega métodos reconhecidos internacionalmente”, explicou a pesquisadora Rosana Guiducci, uma das autoras do artigo.

Vale destacar que a RenovaCalc é utilizada pelo Renovabio, um programa federal de incentivo ao uso de biocombustíveis coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), e é disponibilizada gratuitamente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De acordo com o estudo baseado em dados da RenovaCalc, o biogás libera cerca de 83,11 gramas de CO2 equivalente para cada megajoule (unidade de energia) produzido. Por outro lado, o GLP libera 86,7 gramas na mesma função. Essa diferença foi usada como base para calcular a quantidade de CO2 que deixaria de ser emitida com a adoção da tecnologia.

A propriedade utilizada como piloto para a pesquisa é de Benedito Bento Gonçalves da Cruz, no município de Luziânia (GO), que mantém cerca de 60 cabeças de gado leiteiro. Segundo a Embrapa, após três meses de acompanhamento, a produção de biogás foi estabilizada e a família do produtor adotou o biogás na cozinha, deixando de utilizar o botijão de GLP. 

Foi a partir dessa observação que os pesquisadores da Embrapa puderam estimar que a produção média de uma propriedade de pequeno porte pode substituir uma quantidade equivalente a dois botijões por mês.

Biodigestores

O estudo ainda apontou que um biodigestor também pode produzir um subproduto extremamente viável para as propriedades rurais, o digestato, que é um fertilizante livre de qualquer aditivo químico com grande potencial para uso em lavouras orgânicas.  

“Só vi vantagens, além de economizar no uso de gás, ainda produzo o adubo [digestato] para jogar nas plantas”, relatou Benedito Bento Gonçalves da Cruz, proprietário da propriedade usada como piloto para a pesquisa. Segundo ele, não houveram alterações no manejo dos animais durante esse trabalho. “Só mudou o modo de lavar o curral, um trabalho que eu já fazia todos os dias”, apontou. 

Nesses casos, os dejetos devem ser coletados sem o uso de sabão ou outros químicos, para que se preservem as bactérias responsáveis pela digestão do material e a geração do gás.