Estudo da biologia do solo pode alavancar agricultura

Essa seria o próximo nível depois das pesquisas sobre características físico-químicas

Redação

em 18 de setembro de 2023


As pesquisas focadas nos aspectos químicos e físicos dos solos têm impulsionado a produtividade da agricultura e permitido a entrega recorde de produção. Para a atual temporada – 2022/23 – as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimam a colheita de 320,1 milhões de toneladas, o que representaria um aumento de 17,4% em relação ao ciclo passado.

Agora, uma nova revolução pode amplificar os resultados de investimentos em pesquisa e desenvolvimento: o estudo da biologia do solo. Explicando: os produtores rurais poderão usar as vantagens das pesquisas que trabalham com informações microbiológicas do solo, combinadas com uso da biotecnologia. Na prática, isso significará fazer, entre outras coisas, aplicações de insumos de acordo com as características de cada região e a necessidade da lavoura.

Esse ponto de vista é defendido por especialistas como Iêda de Carvalho Mendes, engenheira agrônoma, doutora em microbiologia do solo e pesquisadora da Embrapa Cerrados. Com duas décadas de experiência, ela vem realizando estudos que poderiam ser chamados de uma espécie de “exame de sangue” do solo.

Análise da biologia do solo é como um “exame de sangue”

Outro especialista no tema é o engenheiro agrônomo Danilo Cunha Tornisiello, coordenador de pesquisa, desenvolvimento e inovação na Superbac. “Avançar nessa temática é um passo muito importante para o agro brasileiro, afinal, a biologia do solo, dentro das áreas de ciência do solo, possui um grande espaço para crescimento e desenvolvimento”, explica Tornisiello.

De acordo com ele, existem dados que apontam que os sistemas mais conservacionistas geram mais ganhos de produtividade nas lavouras, mesmo em solos que possuem características químicas e físicas semelhantes. As pesquisas teriam chegado ao nível de bioenzimas do solo, com destaque para três delas: a betaglicosidase, que está relacionada ao ciclo do carbono; a fosfatase ácida, que está ligada ao ciclo do fósforo; e a arilsulfatase, relativa ao ciclo do enxofre.

Ainda segundo Tornisiello, ao analisar essas bioenzimas por meio de parâmetros específicos, passou a ser possível construir tabelas, que geram resultados interpretáveis relacionados estritamente ao funcionamento biológico do solo, ou seja, ciclagem de nutrientes, que tem relação direta com o alto rendimento das lavouras e matéria orgânica.

“A grande sacada é que até pouco tempo não era possível ter parâmetros biológicos, algo que agora temos em nível de enzimas. Não chegamos ainda à fauna de microorganismos ideal, mas estamos no caminho”, destaca o engenheiro agrônomo.