kobe beef

Kobe Beef: como a carne do boi japonês virou mania no mundo

Carne de origem japonesa chega a ser vendida por até US$ 1 mil o quilo e chega a menu de restaurantes pelo mundo

Redação

em 17 de agosto de 2022


Suculento e raro, o Kobe Beef tem ganhado fama em restaurantes pelo mundo. Sua produção limitada, e o preço que pode chegar a incríveis US$ 1 mil o quilo, chamam atenção de amantes da culinária e também daqueles que trabalham no mercado agropecuário. Afinal, o que o Kobe Beef tem que o fez virar um item de cobiça?

Kobe Beef vs Wagyu

Nem todo Wagyu é Kobe Beef, mas todo Kobe Beef é Wagyu. Isso porque o Wagyu é o nome dado para a carne japonesa como um todo – e para as raças que vieram do Japão, e o Kobe é uma variedade premium de Wagyu. O que difere o Kobe das outras carnes Wagyu (que, inclusive, também tem altíssima qualidade), são os padrões de criação, seleção, alimentação e produção, instaurados em Hyogo, província cuja capital é a cidade de Kobe.

Carne super-premium

A carne de Kobe tem um marmoreio próprio, sendo quase branca, o que significa que a carne tem teias de gordura que derretem facilmente quando aquecidas. Na prática, a gordura dá ao bife a maciez e aquela qualidade de “derreter na boca”. O Kobe Beef é tão macio que cortes finos e crus são uma iguaria.

Kobe Beef

A gordura no gado japonês é tão valorizada que é um componente importante de seus critérios de classificação de carne. Na escala japonesa, o grau de gordura é medido de 0 a 12, mas, no Brasil, só se conseguiu produzir até o nível 10. A carne média nos Estados Unidos, para se ter uma ideia, fica no grau 5. Quanto maior o grau de gordura, ou de marmoreiro, mais cara é a carne.

A variação genética do Wagyu – principalmente da raça Tajima-Gyu-  permite que ele tenha mais gordura intramuscular, e que essa mesma gordura derreta em temperaturas menores, ou seja, o sabor fica mais rico, como se ele fosse amanteigado. A gordura não é saturada, rica em Omega 3 e Omega 6, ou seja, ele consegue também ser mais saudável.

Kobe beef é o champagne das carnes

A qualidade da carne trouxe consigo a popularidade. Mas, é importante para todos saberem que muito do que é vendido como Kobe Beef fora do Japão, não é, na verdade, Kobe. Afinal, para ganhar esse selo, a carne precisa ser certificada. Não só deve vir de gado Tajima-ushi criado em uma das apenas 260 fazendas certificadas na província de Hyogo, no Japão, mas o boi,deve pesar menos de 1.034 libras, além de ter uma certa porcentagem de carcaça para gordura magra. Para garantir os padrões, toda a carne Kobe deve ser processada em um abatedouro de Hyogo.

“É muito parecido com champanhe: existem diretrizes rígidas sobre o que realmente se qualifica como champanhe e a indústria do álcool obedece a essa restrição de nomenclatura. E como Champagne, comparar um hambúrguer que fala que é de Kobe, como sendo Kobe real é semelhante a usar a mesma descrição para André, uma marca de espumante, e para a Dom Pérignon”, comentou Michael Coggins, sócio-fundador da Holy Grail Provisions, em entrevista à Forbes.

Em 2020, havia apenas 5,5 mil bovinos Kobe sendo criados no Japão. Ou seja, é uma carne rara – o que, em parte, justifica o preço. 

Algumas curiosidades do Kobe Beef

O tratamento que os bois Wagyu recebem já foi alvo de alguns exageros. Alguns dizem que os animais tomam cerveja todos os dias. Quando, na verdade, eles se alimentam de cevada apenas durante algumas estações. E acredita-se que o cereal ajuda no apetite dos animais – resultando em uma engorda mais saudável. 

O gado também recebe rações com alto teor de amido, que geram energia para transformar em gordura intramuscular. 

Os animais são escovados diariamente, e também recebem massagens regulares. Alguns dizem que elas são feitas com saquê, mas é apenas um mito.