COP 28: agricultura está entre os alvos de redução de emissões no Japão

País coloca o segmento como prioritário ao lado de energia

Redação

em 8 de setembro de 2023


O governo japonês estabeleceu a meta de reduzir em 46% suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2030, considerando o ano base de 2013 como referência. A meta faz parte das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), que deverão ser apresentadas pelo Japão, na COP 28. No longo prazo – 2050 – a meta é de emissão zero. Entre as áreas focadas para conseguir seus objetivos, o país asiático elenca os setores de alimentação, agricultura, silvicultura e indústrias pesqueiras.

Nessas quatro áreas, segundo o documento oficial, o Japão criará novas indústrias e empregos, ao prosseguir com os esforços na transição estratégica para uma economia circular, necessária para a descarbonização, bem como por meio de soluções baseadas na natureza (NBS).

A lista de prioridades, no entanto, é encabeçada pela área de energia. Os combustíveis fósseis usados na indústria, construção, transporte e outros segmentos puxam o foco, seguidos pelas emissões fugitivas de combustíveis e pelo armazenamento e estoque de CO2. Aplicações industriais e geração e resíduos também estão no alvo do Japão.

Para atingir as metas, os japoneses listam uma série de melhores práticas que vêm sendo ou serão adotadas. A base para atingir a neutralidade do carbono até 2050 é a Lei de Promoção de Contramedidas de Aquecimento Global (Lei nº 54 de 2021), que tornou-se um princípio básico de ação. Segundo o documento oficial, a ideia não é apenas seguir a norma, mas fazer do país uma sociedade descarbonizada.

Japão mostrará comprometimento com descarbonização na COP 28

Em abril último, o primeiro ministro japonês Fumio Kishida afirmou que o país está totalmente comprometido em contribuir para as negociações na COP 28. Kishida expressou seu apreço pelo fornecimento estável de petróleo bruto dos Emirados Árabes Unidos (UAE) para o Japão e sua consideração pela participação de empresas japonesas no desenvolvimento upstream ao longo dos anos, ao receber a visita de autoridades dos Emirados Árabes Unidos (EAU), sede da COP 28, que acontece em novembro.

Outro ponto de sinergia entre os dois países é a meta de estabilizar o mercado internacional de petróleo e a promoção da transição energética pragmática, de forma a se alcançar a descarbonização.

Em sua página oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Japão destacou outras iniciativas do país na área climática, entre elas o suporte financeiro ao GCF, fundo internacional para apoiar a redução de gases de efeito estufa (mitigação). A criação do GCF foi decidida na 16ª reunião das partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP16), realizada em 2010.

O GCF levantou US$ 10,3 bilhões até 2014 para o período de 2015-2018 como Mobilização Inicial de Recursos (IRM) e começou a financiar projetos em 2015. Para a primeira reposição (GCF-1) (2020-2023), 31 países e 2 governos locais anunciaram contribuições ao GCF até agora e o valor total chega a US$ 10 bilhões. O Japão contribuiu com US$ 1,5 bilhão para o GCF em 2015-2018, seguido por outro compromisso de até US$ 1,5 bilhão em 2020-2023 para a primeira reposição do GCF. No total, o Japão é o segundo maior doador do fundo depois do Reino Unido, com contribuições totais de até US$ 3,0 bilhões.