Brasil COP 28

COP 28: Brasil terá chance na agenda climática mundial

Capacidade de adaptação, detenção de uma matriz energética mais limpa e o agro sustentável estão entre as vantagens do Brasil

Redação

em 31 de outubro de 2023


O mundo está se preparando para a próxima Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, a  COP 28, que este ano acontecerá em Dubai, nos Emirados Árabes. A novidade é que o Brasil deve se destacar na COP 28 e terá chance na agenda climática global, não só pelo planejamento da COP 30, que será em Belém do Pará, em 2025, mas também por sua capacidade de adaptação, a detenção de uma matriz energética mais limpa e a preocupação com o agro sustentável.

O fato é que os países signatários foram intimados a criarem metas reais e ambiciosas em suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas, na sigla em inglês). Tudo para atingir a meta que cada um assumiu ao assinar o Acordo de Paris, criado durante a COP 21. 

As medidas de combate à crise climática vêm envolvendo os 197 países signatários. Alguns com metas simples superadas, outros com metas ainda longe disso, e outros com compromissos mais ambiciosos e cumpridos antecipadamente. O fato é que cada país tem a sua própria NDC, desenvolvida de acordo com sua realidade e as possibilidades de execução. A maioria dos países desenvolvidos já cumpriram suas metas, por exemplo. Países em desenvolvimento ainda aguardam a cooperação de outras nações para financiar seus projetos e colocá-los em prática. 

Portugal, por exemplo, deve atingir em 2026 os 80% de energia gerada por fontes renováveis. A previsão do país, na NDC, era atingir esse índice somente em 2030. 

Brasil na agenda climática global

O Brasil chegará à COP 28 com um certo conforto, uma vez que apresentará taxas menores de desmatamento, redução de emissões e, ainda, terá condições de apresentar uma matriz energética majoritariamente limpa.

Outro fato importante para o Brasil ocupar seu espaço na agenda climática global é que recentemente conquistou a liderança entre os países florestais, após ter realizado em Belém, em junho (2023), a Cúpula dos Países Amazônicos.

A capacidade de produção de hidrogênio verde também deve colocar o Brasil à frente da agenda climática global, uma vez que o país tem condições de ser um líder global em produção. O hidrogênio verde, atualmente, faz parte do programa Combustível do Futuro, do governo federal. Ele tem potencial para reduzir a pegada de carbono e alavancar a transição energética no país. 

Outra grande preocupação do Brasil, e que o coloca definitivamente à frente da agenda climática global, são as boas práticas no agronegócio, as quais são determinantes para mitigar emissões. Além disso, a preocupação com segurança alimentar e nutricional, e o combate às desigualdades no enfrentamento às mudanças climáticas, elevam a responsabilidade do país em termos de contribuição global. Outro ponto de destaque é o potencial agroflorestal nacional, que pode ser viabilizado com mudanças na produtividade rural e redução do desmatamento.

O que esperar da COP 28?

Estima-se que a COP 28 será um palco de discussões intensas sobre o que ainda se pode fazer para combater a crise climática. Uma das vertentes mais fortes das apresentações dos países será o financiamento climático, uma pauta ainda cara para muitos países. 

Os países desenvolvidos assumiram em 2015, no Acordo de Paris assinado na COP-21, que enviariam US$ 100 bilhões por ano para os países em desenvolvimento custearem suas medidas de combate às mudanças climáticas. De acordo com a Revista Galileu, isso ainda não se concretizou. 

O tópico de financiamento climático é crucial para que países menos desenvolvidos efetivem a transição para uma economia de baixo carbono, colocando em prática suas medidas de mitigação.

Outro tema importante da COP 28 diz respeito às NDCs e os compromissos assumidos pelos países para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). 

Assim como o financiamento climático, as metas estabelecidas nas NDCs também devem gerar discussões durante a COP 28. O fato é que desde sempre existiu desconfiança dos países sobre as metas estabelecidas para a redução das emissões. E o cumprimento das metas será cobrado de todos os países na COP 28.